Um dos medos mais comuns antes da primeira sessão é simples e paralisa muita gente: "E se eu chegar lá e não souber o que falar?"
Você imagina a cena: sentar na cadeira, o terapeuta olhando para você esperando que comece, e aquele silêncio incômodo tomando conta da sala. Como se precisasse fazer uma apresentação sem ter ensaiado, ou pior, como se estivesse sendo avaliado e pudesse "reprovar" na terapia.
Relaxa. Não funciona assim.
Você não precisa preparar pauta
A primeira coisa que precisa saber é essa: você não precisa chegar com um roteiro pronto, com uma lista de tópicos ou com um discurso organizado sobre sua vida. Esse não é seu trabalho.
Meu trabalho como terapeuta é conduzir a conversa. É fazer as perguntas certas, criar o espaço seguro e ajudar você a colocar em palavras o que muitas vezes ainda está confuso na sua cabeça. Se você soubesse exatamente o que dizer e como organizar tudo sozinho, provavelmente não precisaria de terapia.
Então não se cobre por isso.
O silêncio não é constrangedor
Outra coisa é que o silêncio faz parte. E está tudo bem.
Se você precisar de um tempo para pensar, se não souber como responder algo, se travar no meio de uma frase porque tocou em algo difícil, não há problema nenhum. Silêncio em terapia não é como silêncio num jantar de família onde todo mundo fica esperando alguém dizer alguma coisa.
É um espaço para respirar, processar, sentir. Eu não vou ficar te julgando porque você parou de falar. Vou estar ali, presente, esperando você no seu tempo.
Como funciona a primeira sessão (passo a passo)
Se ajuda saber exatamente como as coisas vão acontecer, aqui está o que você pode esperar:
Apresentação e acolhimento: Nos primeiros minutos, vou me apresentar, explicar rapidamente como funciona o meu trabalho e criar um ambiente onde você se sinta à vontade. Não é uma entrevista de emprego. É uma conversa.
Perguntas sobre o que te trouxe até aqui: Vou te perguntar o que está acontecendo na sua vida agora e o que te motivou a buscar terapia. Pode ser algo específico (ansiedade, insônia, dificuldade de relacionamento) ou algo mais difuso (sensação de vazio, de estar perdido). Qualquer resposta está certa.
Contexto da sua vida: Vou fazer algumas perguntas sobre sua rotina, trabalho, relações, saúde. Nada invasivo, nada que você não queira responder. O objetivo é entender o cenário geral da sua vida para conectar os pontos depois.
Escuta ativa, não interrogatório: Não é um checklist burocrático. Se você começar a falar sobre algo que está te incomodando e quiser se aprofundar, vamos por aí. A sessão vai para onde precisa ir, não para onde eu planejei.
Explicação sobre como vamos trabalhar juntos: No final, vou explicar como funciona o processo terapêutico, falar sobre sigilo, frequência das sessões e tirar qualquer dúvida que você tiver. Você sai de lá sabendo o que esperar daqui para frente.
Não é uma performance
A terapia não é um palco onde você precisa se apresentar bem. Não existe "ir bem" ou "ir mal" na sessão.
Se você chorar, está tudo bem. Se não chorar, também. Se falar muito, ótimo. Se falar pouco, sem problema. Se chegar dizendo "não sei nem por onde começar", eu começo por você.
O que importa é que você apareça. O resto, a gente constrói juntos.
E se eu realmente travar?
Tem gente que trava mesmo. Chega, senta, e a mente fica em branco. Ou sente que o problema "não é tão grave assim" e fica com vergonha de estar ali.
Se isso acontecer, eu vou te ajudar. Vou fazer perguntas, vou conduzir, vou mostrar que o que você sente é legítimo e merece atenção. Ninguém busca terapia por luxo. Se você está aqui, é porque algo não está bem, e isso já é motivo suficiente.
A primeira sessão não precisa resolver tudo. Ela só precisa ser o primeiro passo. E esse passo, você não dá sozinho.
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Se você ainda está em dúvida, mas sente que precisa desse espaço, marque uma primeira sessão. Não precisa ter tudo resolvido na cabeça antes de chegar. Apareça do jeito que estiver, e vamos começar de onde for possível.